{"id":7622,"date":"2023-03-08T08:00:00","date_gmt":"2023-03-08T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/\/?p=7622"},"modified":"2023-03-20T11:04:16","modified_gmt":"2023-03-20T11:04:16","slug":"1212","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/","title":{"rendered":"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"7622\" class=\"elementor elementor-7622\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"ob-is-breaking-bad elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4ad4fd1 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4ad4fd1\" data-element_type=\"section\" id=\"PT\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_use_it&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_bbad_sssic_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_glider_is_slider&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-b557c06\" data-id=\"b557c06\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-afd4d4a ob-harakiri-inherit ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"afd4d4a\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_use_harakiri&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_harakiri_writing_mode&quot;:&quot;inherit&quot;,&quot;_ob_postman_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>EN (coming soon) |\u00a0<a href=\"#PT\">PT<\/a><\/p><p>Autora: Marta Lan\u00e7a<\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Nascida em 1980 em Luanda,\u00a0a artista visual vive e trabalha com fotografia entre Londres e Lisboa. Nesta conversa fal\u00e1mos sobre alguns dos seus projetos relacionados com a cultura do cabelo, a maternidade, as tecnologias de controlo, os rituais f\u00fanebres, e fic\u00e1mos a conhecer o seu percurso e modo de estar na arte e na vida.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Como surge a cultura visual e a fotografia na sua vida?\u00a0<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Sempre fui uma pessoa bastante visual e cin\u00e9fila. Quando era mi\u00fada adorava ver filmes. Para mim foi um modo de conhecer o mundo e de quebrar fronteiras. Desde sempre me foi transmitida a cultura popular, nos anos noventa, e dos anos dois mil. Portanto, toda a minha experi\u00eancia e cultura visual foram muito a partir de filmes. Sempre me senti muito atra\u00edda por hist\u00f3rias, especialmente pelas visuais.<\/span><\/p><h4>\u00a0<\/h4><h4>Nunca quis trabalhar noutras linguagens art\u00edsticas al\u00e9m da fotografia?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando era mais nova fiz teatro na escola. Comecei com o Pedro Saavedra, que tamb\u00e9m tinha estudado na minha escola, e quando estava no Conservat\u00f3rio decidiu fazer um projeto l\u00e1. Foi a partir de a\u00ed que comecei a fazer teatro, algo de que sempre tinha gostado. Fizemos v\u00e1rios projetos juntos, incluindo de dan\u00e7a. Sempre gostei muito do movimento e da express\u00e3o corporal, que tamb\u00e9m acaba por ter influ\u00eancia visual.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e280fc8 ob-harakiri-inherit ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e280fc8\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_use_harakiri&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_harakiri_writing_mode&quot;:&quot;inherit&quot;,&quot;_ob_postman_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4>A sua experi\u00eancia de vida impulsionou-a na fotografia?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Honestamente considero que, principalmente na minha adolesc\u00eancia, n\u00e3o tinha um pensamento nem muito cr\u00edtico nem muito estruturado. Por isso n\u00e3o tinha as ferramentas necess\u00e1rias para contextualizar e compreender na totalidade muitas das experi\u00eancias pelas quais passei. Entender, por exemplo, a influ\u00eancia da cultura portuguesa nessas experi\u00eancias foi algo que aconteceu muito mais tarde. J\u00e1 com 26 anos, comecei a experimentar fotografia, trabalhei como assistente de um fot\u00f3grafo ingl\u00eas que vivia e trabalhava em Portugal. Fotografava coisas espont\u00e2neas e nada pensadas. Foi esse caminho que decidi percorrer.<\/span><\/p><h4>Quando e como sai de Portugal com destino \u00e0 \u201cEuropa\u201d?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2010 sa\u00ed de Portugal e fui para Paris, onde acabei por ficar dois meses com a minha irm\u00e3 e o meu irm\u00e3o, que j\u00e1 l\u00e1 viviam, depois fui para a Gr\u00e9cia e para a Inglaterra. No entanto, durante este per\u00edodo de mudan\u00e7a n\u00e3o mexi muito na fotografia, embora tenha observado muito e estado em contacto com v\u00e1rios fot\u00f3grafos. As experi\u00eancias com a fotografia foram quase sempre comerciais, n\u00e3o de modo art\u00edstico ou com pensamento cr\u00edtico. Tudo isto informou a minha pr\u00e1tica. Foi ao sair de Atenas e a dirigir-me para Inglaterra que formei o plano de tirar l\u00e1 o curso de fotografia. J\u00e1 tinha quase 30 anos e n\u00e3o tinha feito a Faculdade em Portugal, por isso pareceu-me indicado estudar algo de que realmente gostasse. Inglaterra pareceu-me ser um pa\u00eds ideal em termos de oferta cultural. N\u00e3o me arrependo, embora tenha havido algumas desilus\u00f5es. Defini uma expectativa a n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o, e embora tenha gostado e tenha sido bastante positivo, tive algumas cr\u00edticas. Podia ter sido muito melhor. Mas de facto tive mais acesso a artistas do que se tivesse estudado em Portugal. Mais <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">networking<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, liga\u00e7\u00f5es, colabora\u00e7\u00f5es. Se tivesse feito o meu curso em Portugal tinha ficado na mesma bolha e zona de conforto.<\/span><\/p><h4>Em Inglaterra tem outro tipo de interlocutor. Sente\u00a0 familiaridade com os seus assuntos, por exemplo com o cabelo?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">A minha faculdade era muito internacional e por isso havia bastante familiaridade. Havia muitos europeus e n\u00e3o s\u00f3 ingleses. Lembro-me que o meu projeto da<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Kindumba <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">come\u00e7ou primeiramente como uma pesquisa que mais tarde se tornou um livro. Falei muito com os meus colegas e a familiaridade foi bastante grande.<\/span><\/p><h4>O <i>Kindumba<\/i> foi o seu projeto mais marcante nesse contexto?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, foi o meu grande projeto. Comecei a trabalhar nele no meu segundo ano como trabalho de pesquisa e com o nome de Hair Culture. Foi uma combina\u00e7\u00e3o de entrevistas, bem mais documental do que propriamente o objeto art\u00edstico do que que agora est\u00e1 presente. Falei com colegas de faculdade, falei com pessoas da minha comunidade que moram aqui, principalmente em Brixton onde a cultura do cabelo est\u00e1 muito presente, falei com empres\u00e1rios, que t\u00eam cabeleireiros e apostam tamb\u00e9m numa vertente educativa em rela\u00e7\u00e3o ao cabelo. E muitas vezes, sem eu dizer nada da minha experi\u00eancia, encontrei muitas semelhan\u00e7as. Ent\u00e3o percebi que este contexto que vivi em Portugal \u00e9 muito partilhado por pa\u00edses que t\u00eam um passado colonial. O facto de ter vivido em pa\u00edses diferentes, fora de Portugal, informou muito as minhas experi\u00eancias. Em Paris, por exemplo, uma das primeiras coisas que vi foram publicidades no metro, mas em rela\u00e7\u00e3o a pessoas negras e com produtos de cabelo que n\u00e3o s\u00e3o europeus. Em Portugal n\u00e3o se v\u00ea isso. Lembro-me quando era adolescente e queria ir ao cabeleireiro, s\u00f3 havia em s\u00edtios muito espec\u00edficos e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">underground<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Isso tamb\u00e9m se vai refletir na forma como as pessoas eram fechadas quanto ao seu pr\u00f3prio cabelo. Era tudo muito camuflado, coberto, tabu. O meu primeiro contacto com o estrangeiro foi contr\u00e1rio. Havia mais diversidade e orgulho. Ser capaz de ir ao supermercado e haver se\u00e7\u00f5es designadas para o cabelo africano. Como tudo era mais <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">mainstream <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">tamb\u00e9m n\u00e3o existia a adversidade com pessoas com cabelos caracter\u00edsticos da nossa cultura como, por exemplo, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">cornrows <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(tran\u00e7as). E havia muita mais representa\u00e7\u00e3o na televis\u00e3o e em todos os meios medi\u00e1ticos. Tendo chegado a Paris em 2011 e tendo logo todo este contacto cultural, comecei a desenvolver o projeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Kindumba<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> em 2013, e tive a ideia de falar sobre o cabelo. Quando fui morar para a Gr\u00e9cia deparei-me outra vez com o retroceder de mentalidades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia negra. Conclu\u00ed que a experi\u00eancia europeia \u00e9 muito dura para quem n\u00e3o \u00e9 branco. Passei por situa\u00e7\u00f5es muito desagrad\u00e1veis devido ao facto de as mulheres negras serem vistas como prostitutas, o que \u00e9 muito discriminat\u00f3rio.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<section class=\"ob-is-breaking-bad ob-bb-inner elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-38dab42 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"38dab42\" data-element_type=\"section\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_use_it&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_bbad_sssic_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_glider_is_slider&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-ec1d480\" data-id=\"ec1d480\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d7e4e38 ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"d7e4e38\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_photomorph_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"715\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-17-715x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7629\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-17-715x1024.jpg 715w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-17-210x300.jpg 210w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-17-768x1099.jpg 768w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-17.jpg 990w\" sizes=\"(max-width: 715px) 100vw, 715px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">KINDUMBA, 2015<br> Edition of 2 <br> Cortesia da Artista<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-2d9e27f\" data-id=\"2d9e27f\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2b4c306 ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"2b4c306\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_photomorph_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"715\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-18-715x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7628\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-18-715x1024.jpg 715w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-18-210x300.jpg 210w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-18-768x1099.jpg 768w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Departure-18.jpg 990w\" sizes=\"(max-width: 715px) 100vw, 715px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">KINDUMBA, 2015<br> Edition of 2 <br> Cortesia da Artista<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a7fc0d9 ob-harakiri-inherit ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a7fc0d9\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_use_harakiri&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_harakiri_writing_mode&quot;:&quot;inherit&quot;,&quot;_ob_postman_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><h4>Em que medida o cabelo \u00e9 um assunto pertinente ligado \u00e0 interculturalidade? Em cidades africanas, que tiveram colonialismo portugu\u00eas, h\u00e1 muito a fazer nessa \u00e1rea. Em Luanda o Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) denunciou muitos casos de descrimina\u00e7\u00e3o nas escolas sobre o cabelo dos alunos (alguns proibidos de frequentar a escola). Muitas mulheres t\u00eam pudor de andar com o cabelo natural, devido aos padr\u00f5es de beleza ocidentalizados, que gera preconceito e falta de autoestima. Por outro lado, a gigante ind\u00fastria de cabelo. O cabelo ainda est\u00e1 por descolonizar?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso tem muito a ver com din\u00e2micas do poder. O poder \u00e9 branco ou de quem seja branco com cabelo liso. E mesmo em pa\u00edses com elites e poder negras a matriz \u00e9 a mesma. A minha investiga\u00e7\u00e3o demonstra essa rela\u00e7\u00e3o entre o poder, o sucesso, o dinheiro e o poder econ\u00f3mico e social. Se uma mulher quer ser vista como bem-sucedida e com estatuto social \u00e9 esse o padr\u00e3o. O cabelo representa mais do que ser bonito, est\u00e1 para al\u00e9m de algo que seja s\u00f3 sup\u00e9rfluo e est\u00e9tico.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Como se situa a narra\u00e7\u00e3o no seu trabalho nas v\u00e1rias camadas deste assunto: pol\u00edticas, culturais, econ\u00f3micas?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">O que quis fazer no final do meu projeto foi realmente celebrar e trabalhar o orgulho relacionado com o cabelo, seja ele natural, estilizado ou at\u00e9 mesmo uma peruca. Quis fazer uma celebra\u00e7\u00e3o da expressividade, das pessoas poderem ser elas pr\u00f3prias. Para mim foi mais valioso do que estar a dizer \u00e0s pessoas o que \u00e9 que elas t\u00eam de usar e priorizar uma op\u00e7\u00e3o acima de outras. Existe reflex\u00e3o sobre o que nos leva a escolher certa op\u00e7\u00e3o, como por exemplo usar o cabelo natural, por isso procurei fotografar pessoas com cabelos diferentes. Acho que esta discuss\u00e3o vai continuar a ser relevante enquanto existirem situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o, como por exemplo de cabelo natural africano n\u00e3o ser visto como algo que possa ser usado em um ambiente profissional. \u00c9 quase a mesma coisa que dizer que o negro n\u00e3o \u00e9 profissional. E ainda mais perturbador \u00e9, de facto, este tipo de pensamento estar presente em \u00c1frica. E no continente americano, \u00e9 raro encontrar uma mulher que abrace as suas ondas, as brasileiras, por exemplo quase todas alisam o cabelo. A ideia de que o feminino \u00e9 o cabelo comprido e liso. A ind\u00fastria do cabelo ganha bili\u00f5es com a venda deste padr\u00e3o. Esta ind\u00fastria est\u00e1 a fazer dinheiro sobre os corpos negros sem qualquer considera\u00e7\u00e3o pelas consequ\u00eancias que tudo isto tem para a sa\u00fade, como \u00e9 o exemplo dos relaxantes capilares.<\/span><\/p><h4>\u00a0<\/h4><h4>E os cremes branqueadores altamente cancer\u00edgenos\u2026 (t\u00e3o usados no Congo, por exemplo).<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Lembro-me de ser adolescente e ficar perplexa com a quantidade de pessoas no cabeleireiro ao saber que se trata de uma comunidade que n\u00e3o tem muito dinheiro. Na televis\u00e3o nunca se v\u00ea as pessoas como n\u00f3s e que usem os nossos penteados. Essa falta de representa\u00e7\u00e3o vai influenciar como nos vemos. Quis ent\u00e3o procurar a raz\u00e3o para tudo isto e a verdade \u00e9 que \u00e9 j\u00e1 uma heran\u00e7a.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-80fbf4c ob-harakiri-inherit ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"80fbf4c\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_use_harakiri&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_harakiri_writing_mode&quot;:&quot;inherit&quot;,&quot;_ob_postman_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4>A sua abordagem vai mais pela resist\u00eancia, o cabelo como forma de afirma\u00e7\u00e3o e de celebra\u00e7\u00e3o. Contraria a imagem da opress\u00e3o dos cabelos nas sociedades africanas, n\u00e3o \u00e9?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas sociedades africanas pr\u00e9-coloniais o cabelo era uma forma de expressar imensas coisas. Eram formas tradicionais de expressar a tua religi\u00e3o, a tua tribo, se eras casada\u2026\u00a0 Era toda uma linguagem codificada que foi perdida.<\/span><\/p><h4>No caso das pessoas escravizadas e despossu\u00eddas, o cabelo era um elemento diferenciador, por vezes permitia saber de onde \u00e9 que a pessoa vinha, a que etnia pertencia, que l\u00edngua falava.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">O cabelo era e \u00e9 ainda hoje algo muito importante. Especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia negra. As pessoas, quando foram escravizadas, e foram levadas do continente deixaram de ter acesso a certos utens\u00edlios e ingredientes que usavam no cabelo. Com o passar das gera\u00e7\u00f5es ficaram perdidos. As pessoas tiveram de se adaptar ao que tinham acesso. Algo que considero quando viajo \u00e9 se terei acesso a determinados produtos. Acho que seria dif\u00edcil para mim viver em pa\u00edses onde a cultura afro n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o presente, seria preciso um n\u00edvel maior de prepara\u00e7\u00e3o e log\u00edstica.<\/span><\/p><h4>No projeto\u00a0<i>Love to Remember <\/i>traz-nos os rituais do luto em comunidade, a partir de funerais em Londres. Fez-me pensar nos\u00a0<i>combas<\/i>\u00a0em Angola: o modo de prolongar a mem\u00f3ria do defunto. Em Portugal o funeral \u00e9 formal, a pessoa morre e j\u00e1 estamos a enterr\u00e1-la. \u00c9 muito individualista, um sofrimento privado. Achei muito interessante perceber como em culturas afrodiasp\u00f3ricas se valoriza a ideia de viver e estar junto na hora da morte.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi exatamente essa ideia que encontrei. A experi\u00eancia funer\u00e1ria em Portugal \u00e9 realmente individualista, parece que estamos a ser julgadas se tivermos mais expressividade sobre a dor, \u00e9 tudo muito frio, aqui \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. As pessoas se tiverem de chorar e gritar para exprimir a sua dor, fazem-no. Depois existe toda a ideia de comunidade, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a fam\u00edlia que est\u00e1 no funeral, v\u00eam pessoas do bairro tamb\u00e9m. Fui a v\u00e1rios funerais no sul de Londres especialmente de comunidades africanas e todos eram assim. Fiz um funeral de uma fam\u00edlia ganense e foram todos vestidos com roupas tradicionais. Anteriormente eu j\u00e1 tinha feito um funeral para a mesma fam\u00edlia e as caras que come\u00e7o a encontrar acabam por ser familiares, por um lado \u00e9 triste, por outro tamb\u00e9m h\u00e1 uma cumplicidade entre n\u00f3s. Fui convidada para fazer fotografias como evento. Em vez de fazer casamentos fa\u00e7o de funerais. Eles \u00e9 que me encomendaram o trabalho. Fui convidada por um colega da faculdade que j\u00e1 trabalhava nisto, no in\u00edcio tive algumas d\u00favidas. N\u00e3o achei que fosse ser bem recebida, j\u00e1 que era uma situa\u00e7\u00e3o muito privada, mas decidi experimentar e ver como corria. Fui muito bem recebida, as pessoas deixaram-me muito \u00e0 vontade e queriam mesmo que eu estivesse l\u00e1. Porque as fotografias colocam-me a fazer parte dessa recorda\u00e7\u00e3o. Depois havia a quest\u00e3o do v\u00eddeo tamb\u00e9m, durante o COVID soube de funerais que se fizeram atrav\u00e9s de Zoom. Tive assim acesso a muitas quest\u00f5es e acontecimentos. Funerais s\u00e3o quase como casamentos, ap\u00f3s as devidas cerim\u00f3nias f\u00fanebres, aluga-se um espa\u00e7o dedicado \u00e0 mem\u00f3ria, onde h\u00e1 m\u00fasica, comida, rezas.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<section class=\"ob-is-breaking-bad ob-bb-inner elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-c1f4eff elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"c1f4eff\" data-element_type=\"section\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_use_it&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_bbad_sssic_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_glider_is_slider&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-5246e37\" data-id=\"5246e37\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5a60d59 ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"5a60d59\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_photomorph_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"800\" src=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/LadywithaHat-1024x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7633\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/LadywithaHat-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/LadywithaHat-300x300.jpg 300w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/LadywithaHat-150x150.jpg 150w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/LadywithaHat-768x768.jpg 768w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/LadywithaHat-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/LadywithaHat-2048x2048.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Love to remember. <br> Cortesia da Artista<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-79153ee\" data-id=\"79153ee\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-67e0f48 ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"67e0f48\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_photomorph_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/untitled-10-1024x683.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7634\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/untitled-10-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/untitled-10-300x200.jpg 300w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/untitled-10-768x512.jpg 768w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/untitled-10-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/untitled-10-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Love to remember. <br> Cortesia da Artista<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-427fd00 ob-harakiri-inherit ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"427fd00\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_use_harakiri&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_harakiri_writing_mode&quot;:&quot;inherit&quot;,&quot;_ob_postman_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><h4>As <i>combas<\/i> em Angola chegam a durar uma semana. Chega-se a alugar um espa\u00e7o com decora\u00e7\u00e3o, aparecem parentes distantes. Pode ser uma festa, come-se, bebe-se, faz-se neg\u00f3cios, novos casamentos, reencontros. A vida continua. O encontro em mem\u00f3ria de algu\u00e9m que morreu promove outras coisas. Na Europa as pessoas t\u00eam de estar mais contidas nas emo\u00e7\u00f5es, n\u00e3o manifestam a dor para fora. Em tempos, chorava-se sem pudor, como carpideiras, e o luto era uma marca social muito forte, fica-se anos a vestir de preto.\u00a0<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Na cultura europeia existem as toxicidades de confrontares a tua parte emocional, porque n\u00e3o deves ser emocional e descontrolado<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> Penso que estamos a reverter um bocadinho nisso e estamos mais \u00e0 vontade com as nossas emo\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 bom. Consegui encontrar estas semelhan\u00e7as de que lhe estava a falar em funerais cabo-verdianos em Lisboa. Fui a um funeral desse tipo e as pessoas estavam todas na rua a comerem cachupa e havia m\u00fasica. No <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Love to Remember <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">reencontrei tudo isto. Aqui (em Inglaterra) existe um grande foco no \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">remembe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">r\u201d, os convidados do funeral deixam mensagens sobre a pessoa defunta. E atrav\u00e9s destas pequenas mensagens comecei a conhecer muito mais sobre v\u00e1rias partes destas culturas como, por exemplo, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">windrush generation<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Aquela gera\u00e7\u00e3o p\u00f3s Segunda Guerra Mundial que foi convidada para reconstruir o pa\u00eds. Muitas das pessoas estavam bem, tinham educa\u00e7\u00e3o, mas tinham o sentido de patri\u00f3tico e responderam \u00e0 chamada de virem para este pa\u00eds e fazerem parte de algo que \u00e9 maior do que do que eles pr\u00f3prios. Chegaram ao pa\u00eds com aquela expectativa na cabe\u00e7a, que depois foi dizimada pelo clima, muito frio, muito cinzento as pessoas um bocado miser\u00e1veis e sobretudo pela discrimina\u00e7\u00e3o. Eram descrimina\u00e7\u00f5es muito fortes como, por exemplo, ser imposs\u00edvel arrendar casas, desemprego\u2026 A famosa frase \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">No Irish, no Dogs, no Black<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. Mas mesmo assim persistiram e fundaram comunidades enormes e foram grandes contribuidores para a cultura Inglesa.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2013 foi introduzida a \u201cHostile Environment policy\u201d, uma pol\u00edtica adoptada pelo governo de coliga\u00e7\u00e3o Conservador e Liberal Democr\u00e1tico para limitar a imigra\u00e7\u00e3o e deportar pessoas sem documentos do pa\u00eds e que afetou desproporcionalmente a comunidade negra porque esta tende a ser vista como emigrante\/ilegal.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">As pessoas que vieram das Cara\u00edbas parte da &#8220;gera\u00e7\u00e3o Windrush&#8221; vieram como cidad\u00e3os brit\u00e2nicos e o seu estatuto \u2013 supostamente &#8211; nunca estaria em causa. Muitos deles nunca acompanharam o n\u00edvel de administra\u00e7\u00e3o que, de outro modo, se espera de um imigrante para a Gr\u00e3-Bretanha.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando lhes foram demandadas documenta\u00e7\u00e3o, descobriram que n\u00e3o tinham e por isso muitas perderam trabalho, foram destitu\u00eddas, perderam o acesso \u00e0 sa\u00fade ou at\u00e9 deportadas&#8230;\u00a0 Nada disto foi pensado ou o publico informado. Quando comecei a fotografar estes funerais, estava a acontecer tudo isto.\u00a0 Depois do Brexit, os cidad\u00e3os europeus come\u00e7aram a reportar experi\u00eancias id\u00eanticas a que estas comunidades tiveram com o Home office.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui em Inglaterra existe tamb\u00e9m uma liberdade religiosa que n\u00e3o se v\u00ea em Portugal, nunca vi nenhuma esp\u00e9cie de julgamento nem nada do g\u00e9nero em rela\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas religiosas. Isto interessa-me no sentido de ver as diferen\u00e7as como \u00e9 que isso influencia o nosso pensamento a n\u00edvel de sociedade. H\u00e1 aqui diferen\u00e7as culturais, na Inglaterra a entrada para os museus s\u00e3o na maioria gr\u00e1tis e as igrejas \u2013 Westminster ou St.Paul Cathedral &#8211; n\u00e3o s\u00e3o. Em Fran\u00e7a acontece exatamente o oposto, isto apresenta um contraste de paradigmas socioculturais muito interessante. Diz muito.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>As igrejas protestantes e do Reino Universal, t\u00eam forte\u00a0 presen\u00e7a em \u00c1frica. Um dos atrativos \u00e9 o apoio e a celebra\u00e7\u00e3o: cantar para expurgar.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Acho que uma das raz\u00f5es pelas quais a igreja brasileira est\u00e1 a ganhar pontos \u00e9 a forma de express\u00e3o. H\u00e1 uma cultura brasileira que vem de \u00c1frica e por isso h\u00e1 muito essa semelhan\u00e7a.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<section class=\"ob-is-breaking-bad ob-bb-inner elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-b4aff6b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"b4aff6b\" data-element_type=\"section\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_use_it&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_bbad_sssic_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_glider_is_slider&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-b2461e3\" data-id=\"b2461e3\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-890eb8d ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"890eb8d\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_photomorph_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"647\" src=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/BSWA_Gilles.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7647\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/BSWA_Gilles.jpg 500w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/BSWA_Gilles-232x300.jpg 232w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Black Skin White Algorithms.<br> Cortesia da Artista<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-aff0355\" data-id=\"aff0355\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2d37006 ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"2d37006\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_photomorph_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"647\" src=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/BSWA_Kelly.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7648\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/BSWA_Kelly.jpg 500w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/BSWA_Kelly-232x300.jpg 232w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Black Skin White Algorithms.<br> Cortesia da Artista<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-40da9ca ob-harakiri-inherit ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"40da9ca\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_use_harakiri&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_harakiri_writing_mode&quot;:&quot;inherit&quot;,&quot;_ob_postman_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><h4>As pessoas n\u00e3o se sentem apoiadas, sem um bom sistema de sa\u00fade ou de educa\u00e7\u00e3o, na fal\u00eancia do Estado social procuram na igreja essa forma comunit\u00e1ria de aux\u00edlio. Mas h\u00e1 muita gente a roubar em nome da f\u00e9.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m acontece com a igreja cat\u00f3lica, de qualquer modo. Mas \u00e9 verdade h\u00e1 pessoas a fazer fortunas imensas com as pessoas que quererem acreditar em algo. Em \u00c1frica fazem muito dinheiro porque \u00c1frica tem um ancestral de capacidade de acreditar em alguma coisa.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Falemos do <i>Black White Algorithym<\/i> que reflete sobre as tecnologias biom\u00e9tricas e de vigil\u00e2ncia. Lembrei-me do filme \u201cO preconceito codificado\u201d, que refere as quest\u00f5es raciais, em que o padr\u00e3o da imagem corresponde a um certo tipo de cidad\u00e3o e o algoritmo monta um preconceito contra as pessoas negras.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu comecei por fotografar as pessoas em ambiente de est\u00fadio e depois selecionei, aquilo a que chamamos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">mugshot<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, a fotografia tipo passe, basicamente a parte que \u00e9 usada para reconhecimento. Tem muito a ver com vigil\u00e2ncia e controlo. Depois, com essa parte que recortei foi convert\u00ea-la em algo chamado ASCII CODE\u2026<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">e o que ele faz \u00e9 reverter a imagem para uma linguagem bin\u00e1ria, neste caso, zero e um. E, se reparar, quanto mais escura a pessoa for, menos se reconhece. Foi uma forma de falar sobre essa situa\u00e7\u00e3o em que o algoritmo j\u00e1 discrimina e n\u00e3o est\u00e1 treinado para reconhecer pessoas negras. E traduzir isto para uma sociedade em que cada vez somos mais vigiados. Toda a gente tem Facebook. Toda a gente divulga no Instagram. E se, por exemplo, pensarmos que o facto de ter seguro para o carro est\u00e1 associado a este programa biom\u00e9trico, pode aqui desenvolver-se um problema. Observamos a passagem de pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias para a era tecnol\u00f3gica. As tecnologias mudam e todos estes problemas v\u00e3o ser passados de uma plataforma para outra. Em vez de estarmos a realmente a resolver estes problemas podemos estar a piorar e fazer com que se espalhem mais e que tragam mais desigualdade. Da\u00ed a minha aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias e como \u00e9 que elas continuam a favorecer esse projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Que vai tendo v\u00e1rias express\u00f5es como as tecnologias militarizadas de controlo de pessoas nas fronteiras.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas as pessoas que s\u00e3o marginalizadas t\u00eam a mesma experi\u00eancia ao passar a fronteira, mesmo com o passaporte v\u00e1lido e tudo em ordem h\u00e1 sempre expectativa.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Nem imagino o que \u00e9 sentir isso na pele de todas as vezes que se vai viajar.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Acontece sempre alguma coisa. O \u00fanico s\u00edtio onde nunca senti isso foi aqui (em Inglaterra). Os outros pa\u00edses causam-me muita ansiedade, o que ajuda o preconceito de que realmente se passa alguma coisa de errado.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Essa t\u00e9cnica de converter num c\u00f3digo bin\u00e1rio, depois exposto, deu origem a alguma discuss\u00e3o? Estava integrado nalgum projeto?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Fiz este projeto no primeiro ano do meu mestrado em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Digital Media <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">na Goldsmith University e explorei v\u00e1rios programas que permitiam transformar a imagem em arte.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Este projeto s\u00f3 expus aqui na Universidade Christ Church Canterbury, no entanto, \u00e9 um projeto de que falo bastante. No meio de tantas crises como o COVID, infla\u00e7\u00e3o etc, acho que ainda n\u00e3o est\u00e1 a ser tomada a aten\u00e7\u00e3o devida e tenho medo de que seja um impacto passageiro, que n\u00e3o d\u00ea tempo \u00e0s pessoas de reivindicarem. A mudan\u00e7a tem vindo a acontecer, mas mesmo assim tem de falar e reflectir. Como \u00e9 que estas tecnologias realmente influenciam as nossas vidas? E existem muitos tipos de discrimina\u00e7\u00e3o que nem sequer s\u00e3o considerados como \u00e9 o caso do c\u00f3digo postal, e isto causa problemas de acesso graves a v\u00e1rios tipos de servi\u00e7os ou privil\u00e9gios.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5d50d3d ob-harakiri-inherit ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5d50d3d\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_use_harakiri&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_harakiri_writing_mode&quot;:&quot;inherit&quot;,&quot;_ob_postman_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h4>No projeto<i>\u00a0Mother Untitled <\/i>aborda o complexo papel de ser m\u00e3e, a ansiedade e a monotonia da vida dom\u00e9stica, os medos da situa\u00e7\u00e3o em que um ser depende inteiramente de n\u00f3s.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente h\u00e1 mais expectativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, porque a mulher \u00e9 m\u00e3e e tamb\u00e9m deve ter ambi\u00e7\u00e3o profissional. Tudo isto provoca mais stress n\u00e3o apenas pela necessidade, mas porque a mulher tamb\u00e9m que ser independente, ser m\u00e3e e ser mulher. Querem ser reconhecidas pela sociedade. Acho que ainda h\u00e1 uma ideia muito rom\u00e2ntica do que \u00e9 ser m\u00e3e e das expetativas todas. N\u00e3o se fala o suficiente do isolamento e dos medos pelos quais uma m\u00e3e passa. A mulher perde-se um pouco no processo de maternidade, durante os primeiros anos n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para mais nada. Outro problema dos tempos modernos \u00e9 a perda da comunidade, como havia anteriormente em que realmente uma vila ajudava a criar a crian\u00e7a, tornando a experi\u00eancia da m\u00e3e menos isolada.<\/span><\/p><h4>Agora para ter apoio \u00e9 preciso ter dinheiro. Em Inglaterra as creches s\u00e3o p\u00fablicas ou paga-se muito?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Paga-se imenso especialmente nas idades mais novas. A partir dos tr\u00eas anos o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">pre-school<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (pr\u00e9-prim\u00e1ria) \u00e9 gratuito para toda a gente. Mas s\u00e3o 30 horas no m\u00e1ximo por semana, o que d\u00e1 cinco a seis horas por dia. Os pais t\u00eam de estar dispon\u00edveis ou ent\u00e3o pagam-se essas horas extra. E isto sem considerar o pre\u00e7o de uma creche que s\u00e3o 1200 euros no m\u00ednimo. Em Inglaterra fala-se sempre da parte econ\u00f3mica, mas n\u00e3o se considera a parte social. E se a mulher quiser continuar a trabalhar?<\/span><\/p><h4>Com o nascimento do vosso filho n\u00e3o pensou voltar para Portugal?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui o sistema escolar \u00e9 muito complicado, eu j\u00e1 tinha falado com uma amiga minha que \u00e9 professora e a crian\u00e7a tem de se preparar independentemente. Quando o nosso filho nasceu est\u00e1vamos no COVID, por isso era impens\u00e1vel abandonar a Inglaterra. Depois, a n\u00edvel profissional, aqui h\u00e1 um campo de trabalho muito mais significante a n\u00edvel monet\u00e1rio, al\u00e9m do facto a que me recuso ir para Portugal e depender da economia portuguesa. Os sal\u00e1rios s\u00e3o muito muito baixos.<\/span><\/p><h4>As pessoas est\u00e3o voltadas para dentro e n\u00e3o h\u00e1 tantas redes de ajuda. Nesta s\u00e9rie da Maternidade trabalha com o <i>pink <\/i>e os tecidos, quase uma associa\u00e7\u00e3o kitsch \u00e0 ideia de vida dom\u00e9stica, mulheres aprisionadas numa redoma maternal, a tentar libertar-se.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o seis figuras diferentes na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">performance, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">repetidas de modo a fazerem um efeito tipo espelho. Quis brincar com esse conceito de repeti\u00e7\u00e3o que pessoalmente \u00e9 algo que me custa, a monotonia custa-me, gosto mais de espontaneidade. O meu trabalho acontece a maior parte das vezes por casualidade e eu gosto de deixar as coisas flu\u00edrem. No caso deste projeto espec\u00edfico, queria trazer esta forma aprisionada, essa caixa em que estamos colocadas, que representa as expectativas e a realidade de como as coisas s\u00e3o. E claro que no final do dia as crian\u00e7as valem a pena, mas n\u00e3o teria de ser um processo t\u00e3o complicado. E falo tamb\u00e9m do processo de dar \u00e0 luz, que para mim foi bastante traum\u00e1tico.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<section class=\"ob-is-breaking-bad ob-bb-inner elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-95e5d55 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"95e5d55\" data-element_type=\"section\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_use_it&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_bbad_sssic_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_glider_is_slider&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-c4b3f65\" data-id=\"c4b3f65\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3f40362 ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"3f40362\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_photomorph_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-740x1024.jpeg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7652\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-740x1024.jpeg 740w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-217x300.jpeg 217w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-768x1063.jpeg 768w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset.jpeg 1000w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Mother Untitled.<br> Cortesia da Artista<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-3d287ad\" data-id=\"3d287ad\" data-element_type=\"column\" data-settings=\"{&quot;_ob_bbad_is_stalker&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_teleporter_use&quot;:false,&quot;_ob_column_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_column_has_pseudo&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-60c0997 ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"60c0997\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_photomorph_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"791\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-1-791x1024.jpeg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7653\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-1-791x1024.jpeg 791w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-1-232x300.jpeg 232w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-1-768x994.jpeg 768w, https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-asset-1.jpeg 1000w\" sizes=\"(max-width: 791px) 100vw, 791px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Mother Untitled.<br> Cortesia da Artista<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0f3c0f9 ob-harakiri-inherit ob-has-background-overlay elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"0f3c0f9\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;_ob_use_harakiri&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_harakiri_writing_mode&quot;:&quot;inherit&quot;,&quot;_ob_postman_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_perspektive_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_poopart_use&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;_ob_shadough_use&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_allow_hoveranimator&quot;:&quot;no&quot;,&quot;_ob_widget_stalker_use&quot;:&quot;no&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><h4>A dureza de \u201cser m\u00e3e\u201d \u00e9 abafada precisamente com as coisas bonitas de uma crian\u00e7a a crescer. Choca o que ainda se passa em Angola, a mortalidade do parto e infantil, a falta de recursos, etc.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Dar \u00e0 luz \u00e9 realmente uma das coisas mais perigosas que uma mulher pode fazer. Obviamente n\u00e3o queremos pensar nisto quando tomamos a decis\u00e3o, mas acho que se devia pensar principalmente na forma como as pessoas s\u00e3o tratadas. Felizmente h\u00e1 tecnologia que torna o processo muito menos fatal para a mulher, mas n\u00e3o deixa de ser um momento traum\u00e1tico para muitas m\u00e3es. Depois existem imensas ideias que v\u00e3o sendo transmitidas como, por exemplo, a de um parto natural e sem analg\u00e9sicos ser melhor. A ideia de que o nosso corpo foi desenhado para isso, mas depende muito de mulher para mulher. H\u00e1 mulheres que t\u00eam muita sorte e n\u00e3o precisam quase de ajuda, e outras que precisam mesmo de muita ajuda. Eu fui induzida e acabei por ter de passar por uma cesariana de urg\u00eancia, e afirmo com toda a certeza que se fosse hoje teria marcado desde logo uma cesariana. No entanto h\u00e1 mulheres que acham cesarianas umas coisas horr\u00edveis. Eu acho que o que est\u00e1 aqui em quest\u00e3o \u00e9 a escolha das pessoas. \u00c9 uma viol\u00eancia contra as mulheres toda a vida estarem a ser incutidas que h\u00e1 uma maneira correta de passar pelo parto. Outra grande quest\u00e3o \u00e9 a amamenta\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o consegui amamentar, embora fosse uma coisa que gostava de ter feito porque sei que \u00e9 muito ben\u00e9fico para a sa\u00fade do bebe. Existe liga\u00e7\u00e3o com o amamentar obviamente, mas n\u00e3o \u00e9 por n\u00e3o o fazer que n\u00e3o ame e meu filho e n\u00e3o tenhamos uma rela\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>No texto deste trabalho refere uma esp\u00e9cie de ansiedade que a partir da\u00ed n\u00e3o nos larga, as d\u00favidas se estamos a fazer bem ou mal. Nunca ficamos totalmente descansadas, mas vai melhorando. Isso tamb\u00e9m \u00e9 uma aprendizagem de n\u00f3s pr\u00f3prias, porque somos novas pessoas neste processo.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma coisa que ter um filho me fez recordar foi a minha pr\u00f3pria inf\u00e2ncia, lembrei-me de todas as fases. Valorizas tamb\u00e9m quem cuidou de ti, mal ou bem, com todos os erros. Proporcionou-se muito tamb\u00e9m em termos de perceber as pessoas, a sociedade. Comecei a ver as pessoas todas como crian\u00e7as, crian\u00e7as grandes. J\u00e1 todos passamos por isso e muitos traumas que n\u00f3s temos s\u00e3o devidos \u00e0s crian\u00e7as que fomos e como nos trataram. Tornei-me muito mais emp\u00e1tica e muito menos cr\u00edtica. Existe sempre uma grande ansiedade em rela\u00e7\u00e3o ao ser pequeno que tem de crescer e leva tempo, estamos a falar fisicamente, depois temos aquela parte toda psicol\u00f3gica tamb\u00e9m. \u00c9 extremamente exaustivo quando, simultaneamente, tens de te preocupar contigo. E depois a ansiedade relacionada com o teu pr\u00f3prio ser como mulher. Ser m\u00e3e acaba de prejudicar uma parte profissional principalmente se n\u00e3o tens muita ajuda. E a verdade \u00e9 que ter filhos limita muito a vida da mulher e n\u00e3o teria de ser assim. A mulher do s\u00e9culo XXI ainda n\u00e3o tem direito a desenvolver-se pessoalmente a n\u00edvel do que quer fazer com a sua vida, a partir do momento que \u00e9 m\u00e3e.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>H\u00e1 toda uma press\u00e3o social para que o trabalho das mulheres seja sobretudo o da reprodu\u00e7\u00e3o e de cuidar da sociedade produtiva, e produzir tamb\u00e9m.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Sem d\u00favida que existe uma press\u00e3o enorme, especialmente quando a mulher atinge uma certa idade.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>\u00c9 quase ontol\u00f3gico a maternidade ter esse pendor de dificuldade acrescida na vida das mulheres.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Questionei-me sobre o que poderia fazer a sociedade ser diferente e a verdade \u00e9 que tudo mudaria se os homens tivessem atitudes diferentes. Conhe\u00e7o a hist\u00f3ria de Freddy McConnell um homem transg\u00e9nero (nasceu com corpo biologicamente feminino) que tomou a decis\u00e3o de n\u00e3o retirar o \u00fatero e de ter um filho, e achei incr\u00edvel a experi\u00eancia que ele vai poder transmitir \u00e0 sua crian\u00e7a. Ele tamb\u00e9m fez um filme \u00edntimo e comovente sobre essa experi\u00eancia, desde a decis\u00e3o de ter um beb\u00e9, durante a gravidez e do parto.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Isto \u00e9 uma mudan\u00e7a t\u00e3o grande e que pode ser ben\u00e9fica para a nossa sociedade.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o mundial os cuidados n\u00e3o s\u00e3o considerados trabalho. E, no entanto, cuidar da casa, e dos outros, o trabalho reprodutivo devia ser super acarinhado, implica imenso tempo e dedica\u00e7\u00e3o, leva muitas horas por dia. \u00c9 muito injusto n\u00e3o termos ajuda do Estado nem reconhecimento.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">O que ainda me magoa s\u00e3o coment\u00e1rios a afirmar que isto \u00e9 o meu trabalho e que \u00e9 assim que t\u00eam de ser as coisas.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Ou podia ser, desde que houvesse reconhecimento e que n\u00e3o tivesse de ser t\u00e3o exaustivo tudo para podermos trabalhar noutras coisas e ter cabe\u00e7a para outras coisas. \u00c9 um esmagamento, um cansa\u00e7o ancestral.<\/h4><h4>Rev\u00ea-se na categoria de artista africana?<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu sou uma artista. O meu trabalho foca-se muito na experi\u00eancia negra na di\u00e1spora porque esse \u00e9 o meu contexto mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o gosto de limitar a minha criatividade e n\u00e3o me fecho dentro de nenhuma caixa. Eu gosto dessa abertura para falar coisas que me interessam e que valem a pena trazer \u00e0 superf\u00edcie para as pessoas ouvirem uma conversa sobre esse tema. Nasci em \u00c1frica, mas fui embora de Angola muito pequenina e n\u00e3o voltei nunca mais. Um dia, quando voltar, ser\u00e1 durante um grande per\u00edodo porque parte da minha fam\u00edlia \u00e9 de l\u00e1. Quero fazer arte que \u00e9 coincidente com o continente africano.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><h4>Pode ajudar \u00e0 representatividade de artistas que n\u00e3o eram t\u00e3o conhecidos e de uma certa inscri\u00e7\u00e3o. Nos anos noventa os artistas nunca iriam referir as suas origens africanas porque n\u00e3o era isso que tinha interesse em Portugal. Faziam mais quest\u00e3o de dizer que eram europeus e internacionais do que propriamente ir buscar as origens, suas ou dos pais.<\/h4><p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste momento a arte africana \u00e9 moda e \u00e9 importante para que se possa criar um mercado. O que me incomoda um pouco \u00e9 saber que tenho de seguir as modas para entrar no dito comboio. Eu quero ser fiel a mim mesma e quero que a minha arte tamb\u00e9m o seja. Sou uma artista angolana e o meu trabalho fala sobre a minha experi\u00eancia na Europa, sobre o que vivenciei e observei. Mas h\u00e1 muitas mais que quero explorar no futuro e quero deixar as coisas em aberto.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alice Marcelino nasceu em 1980 em Luanda, Angola. A artista trabalha com fotografia entre Londres e Lisboa. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7784,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[47,11],"tags":[],"class_list":["post-7622","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editorial","category-highlights"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.9 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino - waau art<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino - waau art\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Alice Marcelino nasceu em 1980 em Luanda, Angola. A artista trabalha com fotografia entre Londres e Lisboa.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"waau art\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-03-08T08:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-03-20T11:04:16+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1200\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1280\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Alisson Frota Soares\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Alisson Frota Soares\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"23 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/\"},\"author\":{\"name\":\"Alisson Frota Soares\",\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#\/schema\/person\/4f4be340549910adfff520a92ece54e2\"},\"headline\":\"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino\",\"datePublished\":\"2023-03-08T08:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2023-03-20T11:04:16+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/\"},\"wordCount\":5238,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg\",\"articleSection\":[\"Editorial\",\"Highlights\"],\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/\",\"url\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/\",\"name\":\"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino - waau art\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg\",\"datePublished\":\"2023-03-08T08:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2023-03-20T11:04:16+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg\",\"width\":1200,\"height\":1280},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#website\",\"url\":\"https:\/\/waau-art.com\/\",\"name\":\"waau art\",\"description\":\"\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/waau-art.com\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#organization\",\"name\":\"waau art\",\"url\":\"https:\/\/waau-art.com\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WAAU-Logo.svg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WAAU-Logo.svg\",\"width\":628,\"height\":141,\"caption\":\"waau art\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/waau-art.com\/#\/schema\/person\/4f4be340549910adfff520a92ece54e2\",\"name\":\"Alisson Frota Soares\",\"sameAs\":[\"https:\/\/waau.pt\"],\"url\":\"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/author\/alisson-frota-soares\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino - waau art","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/","og_locale":"en_US","og_type":"article","og_title":"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino - waau art","og_description":"Alice Marcelino nasceu em 1980 em Luanda, Angola. A artista trabalha com fotografia entre Londres e Lisboa.","og_url":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/","og_site_name":"waau art","article_published_time":"2023-03-08T08:00:00+00:00","article_modified_time":"2023-03-20T11:04:16+00:00","og_image":[{"width":1200,"height":1280,"url":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Alisson Frota Soares","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"Alisson Frota Soares","Est. reading time":"23 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/"},"author":{"name":"Alisson Frota Soares","@id":"https:\/\/waau-art.com\/#\/schema\/person\/4f4be340549910adfff520a92ece54e2"},"headline":"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino","datePublished":"2023-03-08T08:00:00+00:00","dateModified":"2023-03-20T11:04:16+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/"},"wordCount":5238,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/waau-art.com\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg","articleSection":["Editorial","Highlights"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/","url":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/","name":"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino - waau art","isPartOf":{"@id":"https:\/\/waau-art.com\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg","datePublished":"2023-03-08T08:00:00+00:00","dateModified":"2023-03-20T11:04:16+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#primaryimage","url":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg","contentUrl":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/WhatsApp-Image-2023-03-15-at-12.10.36-e1679310250898.jpeg","width":1200,"height":1280},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/2023\/03\/08\/1212\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"\u201cAs tecnologias continuam a favorecer o projeto de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, entrevista a Alice Marcelino"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/waau-art.com\/#website","url":"https:\/\/waau-art.com\/","name":"waau art","description":"","publisher":{"@id":"https:\/\/waau-art.com\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/waau-art.com\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/waau-art.com\/#organization","name":"waau art","url":"https:\/\/waau-art.com\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/waau-art.com\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WAAU-Logo.svg","contentUrl":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WAAU-Logo.svg","width":628,"height":141,"caption":"waau art"},"image":{"@id":"https:\/\/waau-art.com\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/waau-art.com\/#\/schema\/person\/4f4be340549910adfff520a92ece54e2","name":"Alisson Frota Soares","sameAs":["https:\/\/waau.pt"],"url":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/author\/alisson-frota-soares\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7622"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7622\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7784"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mcostastudio.pt\/clients\/waau\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}